Dr. Juarez
Anatomia da mama PDF Imprimir E-mail
Sex, 21 de Janeiro de 2011 07:40

Prof. Dr. Juarez Antônio de Sousa
Mastologista
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Os componentes anatômicos mamários compreendem tanto suas estruturas macroscópicas quanto microscópicas. 

Macroscopicamente, o parênquima mamário é um tecido humano especializado localizado no tórax. As mamas adultas são órgãos pares, estando situadas entre a segunda e a sexta costelas no eixo vertical e entre a borda do esterno e a linha axilar média no eixo horizontal, sobre o músculo Grande Peitoral (*1), relacionando-se com os músculos peitoral maior e menor, serrátil anterior e com o espaço retromamário.




As mamas abrangem três estruturas principais: a pele, o tecido subcutâneo e o tecido mamário propriamente dito, o qual é composto de elementos epiteliais e o estroma. Os componentes epiteliais são as ramificações ductais que conectam as unidades estruturais e funcionais da mama (os lóbulos) ao mamilo.

Microscopicamente podem ser identificados os lóbulos, o sistema ductal, o estroma, os ligamentos de Cooper e a membrana basal do sistema ductal.

Cada mama possui de 15 a 20 lobos mamários independentes, separados por tecido fibrosos. Estes lobos são as unidades de funcionamento formadas por um conjunto de lóbulos que se ligam à papila por meio de um ducto lactífero. Os lóbulos são compostos por um conjunto de ácinos que são a porção terminal da ‘árvore’ mamária, onde estão as células secretoras produtoras de leite (*). Cada lobo tem a sua via de drenagem, que converge para a papila, por meio do sistema ductal (*2). O sistema ductal compõe-se de ductos lactíferos responsáveis por conduzir o leite até a papila, exteriorizando-o por meio do orifício ductal. A papila mamária é uma protuberância composta de fibras musculares elásticas onde desembocam os ductos lactíferos. 

Por fim temos os ligamentos de Cooper, expansões fibrosas que se projetam na glândula mamária, subdividindo o parênquima em 15 a 20 lobos. Estes ligamentos conferem mobilidade e sustentação à mama, retraindo de forma característica quando há uma contração patológica (câncer de mama) (*3). 



Fonte: Gouveia (s/d)

Com relação ao estroma, ele compreende a maioria do volume mamário no estado não lactante, e é composto por tecido adiposo e conectivo fibroso (*1). 

O desenvolvimento mamário é rigorosamente controlado pelo ovário, podendo ser definido por vários parâmetros, como por exemplo, a aparência externa, área total, volume, grau de ramificações, número de estruturas presentes na glândula mamária e grau de diferenciação das estruturas individuais, ou seja, lóbulos e alvéolos (RUSSO ET AL., 2000).

O desenvolvimento ductal normal requer a presença de estrógeno e progesterona, os dois hormônios esteróides ovarianos que atuam na glândula mamária por meio de seus receptores específicos. Com a aproximação da puberdade, a mama rudimentar começa a demonstrar um aumento tanto na atividade do epitélio glandular quanto no estroma circundante. Seu aumento de tamanho é devido ao crescimento e divisão dos pequenos feixes de ductos primários originados durante a vida intrauterina das invaginações do ectoderma superficial.

Os ductos crescem e dividem-se por meio de combinações de ramificações dicotômicas, formando nos limites distais do epitélio estromal botões terminais em forma de cubo. Cada botão terminal bifurca-se em dois dúctulos menores ou botões alveolares. O termo botão alveolar aplica-se a aquelas estruturas que se mostram morfologicamente mais desenvolvidas do que os botões terminais. Com mais ramificações, os botões alveolares tornam-se menores e mais numerosos e são então chamados de dúctulos.
Quando uma média de 11 botões/ dúctulos alveolares se agrupam em torno de um ducto terminal, eles formam o lóbulo tipo 1 (LOB 1) ou lóbulo virginal. Os ductos terminais e dúctulos são revestidos por uma camada dupla de epitélio estratificado, enquanto os botões terminais no feto humano são revestidos por um epitélio composto de quatro camadas de células. A formação dos lóbulos na mama feminina ocorre dentro de 1-2 anos após o início da primeira menstruação. Mais tarde, o desenvolvimento posterior da glândula varia grandemente de mulher para mulher (RUSSO & RUSSO, 1987).

A completa diferenciação da glândula mamária é um processo gradual que leva muitos anos e, provavelmente, nas mulheres que nunca engravidaram, nunca é atingida.

No tecido mamário da mulher adulta pode-se identificar dois outros tipos de lóbulos, além do LOB 1. São os lóbulos tipo 2 (LOB 2) e tipo 3 (LOB 3). A transição do LOB 1 para LOB 2 e deste para LOB 3 é um processo gradual de desenvolvimento de novos dúctulos, os quais aumentam em número de aproximadamente 11 em LOB 1 para 47 e 80 em LOB 2 e LOB 3, respectivamente. Como o número de dúctulos aumenta, o mesmo acontece com o tamanho dos lóbulos, embora os dúctulos individuais pareçam reduzido em tamanho (RUSSO ET AL. 2000).


Fonte: INCA, 2002


IRRIGAÇÃO SANGUÍNEA

Com relação ao suprimento sanguíneo, cada mama é irrigada por meio da artéria axilar (artérias tóraco-acromial e torácica lateral), dos ramos mediais da artéria torácica interna e dos ramos das 2ª a 6ª artérias intercostais posteriores.  O trajeto das veias mamárias segue basicamente o das artérias, com a via principal passando pela axila e o conhecimento da drenagem venosa reveste-se de grande importância, uma vez que a disseminação do câncer mamário ocorre frequentemente por ela. (*livro). 

Vale destacar aqui o circulus venosus e o plexo venoso vertebral. O primeiro é formado pelas anastomoses extensas das veias superficiais formando um círculo anastomótico em torno da auréola. O segundo, também chamado de plexo de Batson, rodeia as vértebras e se estende desde a base do crânio até o sacro, carece de válvulas e mantém canais venosos com os órgãos pélvicos, abdominais, torácicos e particularmente com a mama, por meio das veias intercostais posteriores. 

As veias oriundas do circulus venosus e do interior da glândula mamária transportam sangue para a periferia e na sequência para as veias axilar e mamária interna, drenando para a subclávica, e as intercostais drenam para a jugular interna. Os êmbolos liberados por qualquer dessas vias chegam ao ventrículo direito e então são impulsionados ao leito capilar pulmonar. Já pelo plexo de Batson, em casos de câncer, temos metástases diretas para as vértebras, crânio e sistema nervoso central sem acometimento do pulmão.







DRENAGEM LINFÁTICA

A principal via de drenagem linfática da mama ocorre por meio dos linfonodos axilares (75%) e grande parte do restante é drenado através dos linfonodos mamários internos (20%) e pequena parcela através dos intercostais posteriores (5%, aproximadamente). 

Os linfonodos axilares subdividem-se em seis grupos, a saber: veia axilar, mamário externo, escapular, central, supracavicular e interpeitoral ou de Rotter. Segundo Oliveira (2001), a importância prática está relacionada a divisão dos mesmos em relação ao músculo pequeno peitoral devido ao fato do nível de comprometimento dos mesmos refletir o prognóstico de uma paciente acometida de câncer de mama. 

O fluxo dos canais linfáticos é unidirecional e pulsátil em consequência das contrações peristálticas dos canais que possibilitam o trânsito rápido com esvaziamento dos espaços vasculares linfáticos que se ingurgitam com a extensa rede periductal e perilobular. Uma obstrução dos vasos linfáticos, seja por um processo inflamatório ou neoplásico, leva a uma inversão do fluxo, evidenciada microscopicamente como metástases endolinfáticas na derme ou no parênquima mamário (Oliveira, 2001).


Fonte: Gouveia (s/d).

INERVAÇÃO MAMÁRIA

De acordo com Oliveira (2001), a inervação mamária é realizada principalmente pelos ramos cutâneos laterais e anteriores dos segundo ao sexto nervos intercostais. Uma parte limitada da pele que recobre a metade superior da mama é inervada pelo nervo subclavicular originário do plexo cervical, especificamente dos ramos anterior e medial do nervo supraclavicular.

Os nervos intercostais passam pelo bordo inferior das costelas e na altura da inserção das tiras do serrátil emitem os ramos laterais mamários, continuando seu trajeto e, na borda esternal emitem novos ramos para a mama, os mamários mediais. O conhecimento dos seus trajetos é importante porque permite o bloqueio dos mesmos ao nível da linha axilar média, obtendo assim anestesia suficiente para realizar vários procedimentos cirúrgicos, mormente nos quadrantes externos.


Fonte:http://www.breastdiseases.com/anat.htm (online)

EMBRIOLOGIA

A glândula mamária deriva do ectoderma e mesoderma. Este último sofre um espessamento na quarta semana de vida intrauterina, estendendo-se desde as axilas até as regiões inguinais, denominado crista ou linha mamária. Na sexta semana ocorre regressão da mesma, restando somente uma parte na face anterior do tórax, onde ocorrerá o desenvolvimento normal da mama. Se esta linha não regride haverá a formação de tecido mamário acessório, tais como a politelia (mamilos acessórios, normalmente ao longo da crista mamária), polimastia (mama supranumerária, inclusive com capacidade de produção de leite.). Já a regressão completa da linha mamária implicará na ausência de desenvolvimento mamário (amastia, ou Síndrome de Poland. Geralmente é unilateral).

Brotamentos compactos que penetram no parênquima subjacente surgem do espessamento ectodérmico que persiste na face anterior do tórax. Cada brotamento mamário primitivo origina vários brotamentos secundários que constituirão os ductos lactíferos e seus ramos. A partir do mesênquima circundante é desenvolvido o tecido conjuntivo fibroso e adiposo. Uma fosseta mamária rasa é formada pela invaginação da epiderme na origem da glândula e os ductos sofrem tunelização, ganhando suas luzes, durante o período fetal tardio. O mamilo forma-se próximo ao nascimento como resultado do crescimento do mesênquima da auréola.

Ao nascimento, somente os principais ductos estão formados. Porém, devido à influência dos hormônios maternos possam produzir certa secreção denominada ‘leite de bruxa’. Daí por diante a mama não se desenvolve até a puberdade, no sexo feminino, devido à produção de estrógeno pelos ovários ocorre crescimento dos sistemas ductal, conjuntivo e adiposo, permanecendo o tecido glandular incompletamente desenvolvido até a gestação, quando os dúctulos intralobulares apresentam desenvolvimento rápido e acentuado, formando os alvéolos produtores de leite.



Desenho ilustrando o desenvolvimento das glândulas mamárias. A: vista ventral de um embrião com cerca de 28 dias, mostrando as cristas mamárias. B: vista semelhante, com 6 semanas, mostrando os resquícios destas cristas. C: secção transversal de uma crista mamária no local de uma glândula mamária em desenvolvimento. D, E e F: secções semelhantes mostrando os estágios do desenvolvimento da mama, entre a 12ª semana e o nascimento. Fonte: MOORE & PERSAUD, 2000.


Fonte: Playmagem (s/d)

Última atualização em Qui, 13 de Março de 2014 20:52
 

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