Dr. Juarez
Mastite PDF Imprimir E-mail
Seg, 17 de Janeiro de 2011 10:41

Prof. Dr. Juarez Antônio de Sousa
Mastologista
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A mama pode ser sede de qualquer processo inflamatório que nela encontre condições propícias para o seu desenvolvimento. Estes processos podem ser classificados em agudos (mastite aguda puerperal e não puerperal) e crônicos. Os processos inflamatórios crônicos podem ser específicos como tuberculose, hanseníase, sífilis, lupus, sarcoidose, Doença de Mondor e mastite por óleo orgânico ou inespecíficos, e o abscesso subareolar crônico recidivante.

Mastite aguda puerperal ou lactacional:

Introdução
Acomete de 1 a 5% das lactantes, sendo de origem infecciosa. Na maioria das vezes tem evolução favorável, é unilateral e mais freqüentemente acomete primíparas. O pico de incidência ocorre entre a 2ª e a 5ª semana de lactação. Pode ser epidêmica (ocorre em surtos nos berçários com epidemias de piodermites causadas por cepas altamente virulentas de Staphylococcus aureus) e a endêmica (mais freqüente, ocorrendo, após a 5ª semana do puerpério). O Staphylococcus aureus é o principal agente etiológico, sendo responsável por 95% dos casos. Infecções por Staphylococcus epidermidis e Streptococos do grupo -hemolítico, E. coli, Pseudomonas, Serratia e anaeróbios são menos freqüentes, no entanto mais graves e associadas a acometimento bilateral. A contaminação da mama ocorre por via: hematogênica (rara, na sepse puerperal) ou transpapilar (mais freqüente). Na mastite parenquimatosa os germes adentram a papila mamária pelos orifícios dos ductos lactíferos. Na mastite intersticial há inoculação bacteriana a partir da orofaringe contaminada dos recém-nascidos, por soluções de continuidade que existem em mulheres com fatores predisponentes (fissuras, ingurgitamento mamário, má higienização, primiparidade e malformações papilares).

Diagnóstico
Os sinais e sintomas são: “gripe like” (febre alta, calafrios, mal estar), dor e eritema em uma região ou em toda a mama, evoluindo com áreas de flutuação, podendo drenar espontaneamente. Nos casos mais graves podem ocorrer extensas áreas de necrose. A linfadenomegalia reativa, dolorosa e móvel geralmente está presente.
O diagnóstico é clínico. Pode-se pedir hemograma, cultura e antibiograma da secreção mamária. A ultra-sonografia é importante para o diagnóstico de abscessos profundos. A mamografia deve ser reservada para os casos de suspeita de câncer. A biópsia, quando indicada, visa o diagnóstico diferencial com carcinoma inflamatório.

Tratamento
Orientar: higiene, preparo mamilar na gravidez e pós-parto (banho de sol, massagens com esponjas vegetais e exercícios de exteriorização do mamilo invertido - Exercícios de Hoffman), suspensão das mamas e  utilização  da  técnica correta de amamentação, tratamento das fissuras. Continuar a lactação quando possível e realizar a ordenha manual. Analgésicos e antinflamatórios;

Ambulatorial: cefalexina 500 mg, via oral de 6/6 h ou cefadroxila 500 mg, via oral de 12/12 h por 7 a 10 dias;

Hospitalar: cefalotina 6 em 6 horas ou cefadroxil 1 g de 8 em 8 horas, endovenoso ou oxacilina 500 mg, endovenoso de 6/6 h + metronidazol 500 mg, endovenoso de 8/8 h ou Unasyn (sulbactam 500 mg a 1g + ampicilina 1 a 2 g, via intramuscular ou endovenosa, de 6/6 h). Quando houver abscesso, pode-se realizar a drenagem cirúrgica sob anestesia geral, incisão sobre o ponto de flutuação, exploração manual da cavidade e lavagem exaustiva com soro fisiológico.

Mastite não-lactacional:
 Abscesso subareolar crônico recidivante (ASCR), Abscesso mamário não-lactacional (frequentemente associado à doenças de base: diabetes, artrite reumatóide, e outros), Mastite Neonatorum, Mastite granulomatosas (tuberculose, sarcoidose, fungos, por óleo orgânico e outros), doença de Mondor, Mastite luética.
 Carcinoma inflamatório pode ser diagóstico diferencial. Portanto, nos casos em que são identificados abscessos de paredes espessas, deve-se realizar biópsia da parede para excluir a possibilidade de carcinoma concomitante.

Abscesso subareolar crônico recidivante (ASCR)
Introdução 
O abscesso subareolar crônico recidivante, também conhecido como Doença de Zuskas, é um processo inflamatório da porção central da mama, fora do ciclo grávido-puerperal, que apresenta evolução crônica e que freqüentemente evolui para a formação de fístulas. Ocorre principalmente na faixa etária entre 30 e 40 anos, sendo que o hábito de fumar parece ter importante papel na etiopatogenia, aumentando o risco em duas a quatro vezes. O processo se inicia com a metaplasia escamosa do epitélio ductal colunar em epitélio pavimentoso estratificado. Esta metaplasia promove o acúmulo de detritos de queratina dentro do ducto, levando a obstrução e conseqüente dilatação do mesmo, com reação inflamatória do tipo corpo estranho, podendo haver contaminação bacteriana secundária principalmente por anaeróbios. A inflamação pode exteriorizar-se na pele adjacente à aréola por ser o local de menor resistência, formando assim um trajeto fistuloso.

Diagnóstico
O diagnóstico é eminentemente clínico, com surtos recidivantes de infecção periareolar. Forma-se abscesso que drena espontaneamente, fistuliza e cicatriza várias vezes com intervalo de meses a anos. A cultura da secreção mamária deve ser realizada para casos resistentes ao tratamento. A mamografia é importante para o diagnóstico   diferencial   com   neoplasias.  A  ultra-sonografia  é  útil  para   localizar abscessos profundos.

Tratamento
Orientar a suspensão do tabagismo. Na fase aguda: Metronidazol 500 mg, por via oral, de 8/8 h associado a Cefalexina 500 mg, por via oral, de 6/6 h ou Doxiciclina 100 mg, por via oral, de 12/12 h durante 7 a 14 dias. Quando o processo agudo estiver em remissão, o procedimento cirúrgico deverá ser instituído com o intuito de se afastarem recidivas. Opções de tratamentos cirúrgicos:
Cirurgia conservadora: ressecção do trajeto fistuloso (opção para pacientes sem prole definida);
Cirurgia radical: ressecção do sistema ductal terminal (Cirurgia de Urban).

Profilaxia
Estimular o abandono do tabagismo, orientar a higiene papilar nos mamilos invertidos.

Última atualização em Qui, 20 de Janeiro de 2011 10:43
 

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